Sou poesia morta, no deserto do seu coração.
" - Já disse que te amo.
- Não faça isso. Não me ame. "

conserto-disco-voador:

“fumar meu cigarro na falta de absinto, e eu sinto tanto, eu sinto muito”

— blues do elevador

(Fuente: yasminroch)


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intersideral:

Apenas queria transpor metade da dor que eu sinto pelo mundo, e talvez tal arranjo contivesse tanto horror que chegasse a ser quase físico de tão real, somente metade seria suficiente, porque sou bastante covarde ao ter pesar pelo desconhecido, que me falta coragem de deixá-lo experimentar tudo o que sofro, e este sofrer é de uma inutilidade tão humana por ser facilmente reprimível, é o que dizem, mas ainda é mais estúpida minha solene capacidade de não conseguir comedi-lo. Se o desprendimento realizado por meu corpo ao matar pernilongos numa madrugada chuvosa fosse suficiente para aplacar qualquer agonia que me aflige, eu estaria saciado, ou o mais próximo de contente. Algo dentro de mim é profundo e complexo, se move sorrateiro enquanto finjo notória tranquilidade, controla-me na solitude, é algo extremamente vivo que parasita minhas vísceras, e não é de um coração pulsante ou do sangue fluente que falo, é de algum tipo de sentir que contravém as quatro dimensões, ele possui peso e volume próprios, acaso até consciência própria, regras de moral, políticas de mau tratamento mútuas ao objeto infectado – meu corpo, meu eu –, e isso incha qualquer poro, mesmo os bem cuidados, faz cair cabelos e cria-se feridas, doenças, enganos que só o tempo os torna reais numa prolongação improfícua. Numa luta diária pela fuga de um sofrimento latente, me pego preso a réstia de luz lunar do meu quarto, então analiso o exterior com uma insensibilidade imprópria:

A pele quando vista de olhos baixos, numa claridade fraca, analisada centímetro por centímetro, o queixo encostando-se ao osso que dá início o pescoço, cujo nome as péssimas aulas de biologia tomam para si de qualquer um, é feia porque se assemelha a um deserto cheio de buracos ao avesso, cavados de baixo, com a fundura para cima, protuberâncias capilares. E o olhar pode migrar para as unhas, tentando desviar deste novo corpo ridículo que surgiu de uma observação complacente, mas a beleza continuará perdida, pois o visível são cutículas devastadas pelo toque, como se as unhas fossem um defeito, uma obrigação que não deveria estar ali, já que elas aparentam terem sido cravadas nos dedos até os lados incharem formando uma caverna achatada no chão, prendendo-as. Há um pânico crescente ao se notar a iminência de um corpo horrível, as palmas das mãos parecem ser a única calmaria, porém não são. Os riscos visíveis foram talhados, mesmo que de leve, por algo bastante afiado, para semelharem as raízes de uma dicotiledônea em formação, lá a pele é tão assimétrica, tão errônea.

Eu cheiro à imperfeição.

Júnior Cunha


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" Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim. "
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